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Um amor novo, por favor.

Um amor novo, por favor!

 Cansei dos velhos remendos.

das recordações cinzentas, das magoas disfarçadas,

das lembranças amareladas.

 Eu quero um vestido novo,

um corte de cabelo ousado, um sapato vermelho,

 um amor sem reminiscências.

Cansei de remendar as velhas histórias,

de suspirar pelos cantos da casa

e de fingir gostar dos meu velhos trapos!

Um amor novo, por favor!

Eu acho que gosto dele…

Eu acho que gosto dele,
Gosto das pitinhas no pescoço,
do jeito manso de falar,
do gosto musical brega,
do boné vermelho,
do sorriso intenso,
das suas mãos bobas e frenéticas,
do seu olhar me vigiando entrar no portão,
gosto de ouvir ele dizer Mi,
gosto por ele reconhecer minha voz ao telefone,
da suas mania de inventar desculpas esfarrapadas,
da sua fome de viver,
da ternura que trata seus amigos,
do gosto pela loucura,
gosto dele , pois  já me levou ao céu,
porque ele me diz bobagens no msn,
porque sempre cedo aos seus pedidos malucos,
 
porque ele é leve e eu sou densa demais.

Aí! Eu acho que gosto dele bem mais do que devia.

ALICE MARIA DAS FLORES

Alice Maria das Flores morava na rua 15, número 12.
O tom natural do seu cabelo era vermelho, mas era tingido de castanho…   ficando assim,… em um tom sem tom!
Alice Maria das Flores tinha medo da cor dos seus cabelos e da sua gatinha Alegria que vivia a fugir pelas ruelas do seu bairro.
Contraditório Alice  ter uma gata… porque esse serzinho é tão independente, enquanto Alice…
Um dia Alice comprou uma TV 29 polegadas,  caiu de amores pelas cores e pelo mundo que existia dentro daquela caixa preta. 
Alice se apaixonou pelo Galã da série  “ Bem me quer”, ele era alto, tinha olhos verdes e uma barba avermelhada .(logo vermelho q. ela morria de medo).
Ah essas contradições de Alice!
Ele parecia ser feito de algodão doce , falava coisas bonitas para seu par romântico.

 Ah ele era perfeito!! dizia Alice. ( ela tinha idéia fixa por perfeição)
 A história “Bem me quer”, passava-se em Moscou. (coisa estranha uma série Brasileira ser realizada em Moscou, coisas de Brasil).
Mas essas pequenas e grandes esquisitices deixavam Alice Maria ainda mais encantada… com o moço de barba.

Alice cada vez mais pintava o seu cabelo e cada vez mais esquecia da sua gatinha Alegria.
Esqueci de dizer que Alice Maria era meio ingênua, (pra não dizer totalmente) pois, ela acreditava que o moço de barba existia… como também que personagem e ator eram a mesma  pessoa…. e pior que eles moravam  todos lá dentro daquela caixa preta.
Um dia…, o escritor da tal série… resolveu colocar um ponto final na história, pois iria investir em outro projeto…, mas logo, no último capítulo da série,  Alice Maria… perde o ônibus , quando chega em casa… o episódio já havia acabado… assim:

 ”Definitivamente.”
No dia seguinte, ela ligou a TV… e o que vê são outros atores e outra história.
Alice ficou desesperada… queria porque queria  ver novamente o moço de barba…

Sua mãe tenta em vão convence-lá que aquilo era mentira… era farsa…. que o tal moço daquele jeitinho nem existia…. Mas Alice chorava e não queria acreditar.
Alice Maria com seu cabelos tingidos… queria de volta a farsa que a defendia da vida…
Pobre Alice Maria…enlouqueceu!!! Depois sem a série… cismou de falar sozinha… e escrever cartas pra ninguém.
QUALQUER SEMELHANÇA ENTRE FATOS E PESSOAS TERÁ SIDO MERA REALIDADE.

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 Em cada fato há uma fala   subentendida,
A cada fala há uma  linha subentendida,
A cada linha há uma entrelinha  subentendida,
O meu revelar, esconde sempre algo que temo dizer.
O meu não encobre o meu sim,
O meu silêncio encobre  o meu barulho,
O meu medo encobre a  minha coragem,

Em cada linha não-dita, estou sempre rezando baixinho ,
para você ler nas minhas entrelinhas.

Dedicado: à amiga Lis que é lilás da cor de dia feliz.

Delicadas, as amizades

Um breve comentário…

No começo da semana passada enquanto estava  radiante faltou tempo e palavras inspiradas para escrever!

Depois no tumulto de revelações do final de semana faltou coragem de escrever.

Agora ontem enquanto remexia nos textos da época da faculdade  a procura de material para o meu novo trabalho, encontro um texto tão pertinente! Que traça de forma tão linda meus atuais questionamentos.

O texto segue abaixo:

“Delicadas, as amizades”

“Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?

Quanto de verdade suporta um amigo?

Aliás, o que é verdade?, já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.

Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?

São bem delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.

Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável. Mas amizade convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa q. ela   está aí para sempre. Mas não tem a  durabilidade centenária das sequóias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.

(…)

Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar  demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com excesso ás   vezes excessivo. Claro, também às vezes se perde o amigo pela a escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela falta mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala e escreve uma coisa, o outro ouve outra cosa. Se não der para desentortar   a frase ou o ouvido alheio a amizade fica torta.

Diz o apóstolo, Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.

_ Será assim a amizade?

(…) Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?

Não há amizade solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.

(…)

Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os q. no poder não estão. Neste caso não se pode fazer nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo.

Retornaram algum dia?

Nesse caso, como dizia Neruda, os  de então já não seremos os mesmos.

(…) Qual o grau de resistência de uma amizade?

De um metal podemos dizer: derrete-se  a tal qual temperatura.

São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes desmancham no ar.”

SANT” ANNA, Affonso Romano.

Sem mais fico por aqui…

Círculos

Ela andava em círculos pela casa. Esquecera onde colocara os óculos, enquanto isso a água do café  se evaporava. Seu  pai gritava do outro lado  indagando pela quinta chave que ela havia perdido nesse ano. Tantos esquecimentos de coisas concretas e tantas lembranças abstratas.
Ela aflita continuava em seus giros pela casa… ora procurando os óculos, ora as chaves e ora sentia impelida para salvar o pouco que sobrou da água do café …, mas sempre acabava seguindo em outra direção que não era a cozinha.
Por dentro ela também rodopiava com uma crise de “abstinência” , por uma presença que a tempos atrás forá sua “droga”, mais prazerosa. Essa droga tinha gosto e cheiro de algodão doce e  uma cor inventada por ela… com doses diárias ela fingia que era feliz.

 Depois ela se lembrará que sempre rodara em círculos… que fazia e desfazia sua cocha de retalho como Penélope a espera de Ulisses. Ai…mas “ela” não é Penélope nem espera por Ulisses… creio que na verdade tem é medo…
Mas agora o urgente é encontra os óculos e a chave… e   tomar uma xícara de  café bem amargo.

Por quê?

Por que não me canso de lembrar?
Da mentira que inventei e  da imagem que eu criei.
Já não era pra doer tanto.
Nem verdade foi!
Amei um vulto uma miragem,
 na qual projetei meu arco-íres.

Amizade somente minha!
Inventada sonhada.
Dei-me tanto…
ao ponto de compartilhar  meus pés de bairro..
Nesse mundo só de aparências e de imagens perfeitas.
Fui humana  …doei-me nas minhas inúmeras contradições.
Mas tudo em vão, pois como diria Adélia Prado “Meu bem não leu, não escreveu, não disse essa boca é minha.”
Nem se quer olhou pra mim.
Agora restou  apenas uma dor fininha que  parece não ter cura…
e um medo estranho de lançar-se na vida de coração aberto.

Aí… como estou patética!

“Sumiram-se os pontos de reticências, o tempo secou o assunto”. Guimarães Rosa

“Suas lágrimas corriam atrás dela como formiguinhas brancas” Guimarães Rosa

Vestido de chita.

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O céu está nublado. Tereza chora sem lágrimas , assim por dentro. Hoje ela não vai colocar a saia de chita e sair para dançar. Na verdade, faz tempo que guardou sua saia colorida no armário e esqueceu os passos de dança.
Tereza quando menina falava sozinha,  tinha sonhos malucos e sempre rezava baixinho para dormir no seu quarto escuro. Na casa dela, havia muita gente grande e ela ali pequenina, feito um enfeite bonitinho.  Ela era pequenina, mas sempre foi grande por dentro, acho que trazia um espírito velho.
Tão obediente era Tereza. A mãe dela se enchia de orgulho para dizer da menina. Mas a mãe de Tereza. não sabia, que esse era o único modo que a menina descobrirá para que eles a notassem , naquela casa cheia adultos.
Essa menina inventava um mundo encantado  dentro da sua cabecinha. Lá ela era princesa, brincava de correr e de desobedecer. 
Assim ela aprendeu a usar sua saia de chita colorida toda vez que ela ficava triste. A saia a dava super poderes de transformação. Ela esquecia que era triste e brincava de sorrir e de sonhar. Mesmo depois de moça feita ela usava a  saia de super-poderes! Mas um  monstro cruel,  fez a indelicadeza de mostrar pra ela que o mundo de sonhos , não existia e que a saia nem poder tinha. Ela o odiou com ódio de morte! Sabe como que é né?!! Mas o ódio depois passou… sempre passa.
 Como é que se pode tirar de Tereza seu mundo encantado?! Suas tão doces ilusões? Ah esse povo sem coração!
Mas se bem conheço Tereza, ela um dia há de arrumar um jeito de inventar um novo mundo e com a saia voltar a rodar.
Por que me diga caro senhor… o que é a REALIDADE mesmo? Será q. ela existe??
Sei não!

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Por que  gostamos de uns e não de outros?
Por que cada amigo chega de uma forma e cria um laço diferente na caixinha do coração?
Tem gostar que as razões são desconhecidas…
Não tem porquê, nem motivo e muito menos sensatez…
Como diria  o sabido Guimarães Rosa “ (…) eu gostava dele, feito coisa feita.”.
Parece feitiço! Sabe?
Vem de graça!
Torna-se só bem querer mesmo.
Agora tem outros amigos que a razão ajuda escolher… vai ajudando o coração a ceder,
esses amigos  não aparecem como mágica, mas vem de mansinho e vai crescendo dentro do peito.
Os que chegam como feitiço amamos infinito, mas temos medo volta e meia!
Porque é sentimento tumultuado…tem muita briga e conciliação.
Mesmo quando vão embora por desentendimento ,… na verdade eles ficam eternamente cativos na querença da gente.
Queremos  esquecer porque a razão não gosta de confusão, mas o danado do sentimento é GRANDE por demais. Tão largo.
Fica ali… cutucando  por saudade apertada.
Num sei dizer  ao certo o porquê desses amores…
uma idéia miudinha  diz pra mim…
que esses laços sejam os aprovados pela razão ou os avessos a ela…
aparecem na vida  pra ensinar  alguma coisa desconhecida…
Que talvez  nunca descubramos ao certo o que é…!!!
O que se pode fazer, é apenas gostar sem muito perguntar.

Sem sentido.

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Faz tempo que não venho publicar meu mau português no meu Jardim de Vertigens.
Tanto coisa acontecendo e nada acontecendo …

…ganhei um espelho embaçado,
perdi sonhos e desfiz algumas ilusões.
Mas o meu quarto ficou escuro sem minhas estrelinhas distantes e inatingíveis.
Fiz birra! Faço birra!
Tranquei a saudade dentro de um baú mofado… “ignoro” seus gritos.
Ou mentira!
Fiquei doente, tive febre… e nem chorei.
Melhorar nem queria! Só queria dormir pra esquecer, mas no delirio eu chamava por quem não devia.

Ai que ódio!!!!
Arrumei emprego, mas não sei fazer a lição de casa.
Nem frase com nexo consigo juntar.

Para de atormentar saudade!!!!
Deixar de lembrar das frase roubadas sempre sem aspas,
do passo à frente e o recuo…. do medo!

esquece… também…
a amizade barulhenta e intensa das manhãs sorridentes.

Ai que nó!!!!!

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