Ela andava em círculos pela casa. Esquecera onde colocara os óculos, enquanto isso a água do café se evaporava. Seu pai gritava do outro lado indagando pela quinta chave que ela havia perdido nesse ano. Tantos esquecimentos de coisas concretas e tantas lembranças abstratas.
Ela aflita continuava em seus giros pela casa… ora procurando os óculos, ora as chaves e ora sentia impelida para salvar o pouco que sobrou da água do café …, mas sempre acabava seguindo em outra direção que não era a cozinha.
Por dentro ela também rodopiava com uma crise de “abstinência” , por uma presença que a tempos atrás forá sua “droga”, mais prazerosa. Essa droga tinha gosto e cheiro de algodão doce e uma cor inventada por ela… com doses diárias ela fingia que era feliz.
Depois ela se lembrará que sempre rodara em círculos… que fazia e desfazia sua cocha de retalho como Penélope a espera de Ulisses. Ai…mas “ela” não é Penélope nem espera por Ulisses… creio que na verdade tem é medo…
Mas agora o urgente é encontra os óculos e a chave… e tomar uma xícara de café bem amargo.
As vezes uma chícara de café bem amargo não resolve pra dissolver as farsas que das quais nos nutrimos.
Bjo pra Mi, bem no fundo. Lá no coração.
nem mil xícaras de café seriam capazes de fazer esses giros aqui dentro pararem.
as chaves e os óculos continuam perdidos.
Oi Miloquinha,
Nem me fale em perder chaves. Tem um mês que perdi uma importantíssima.
Quanto aos meus óculos, estão na ótica. O grau mais uma vez aumentou e o meu olho direito não para de lacrimejar.
Mas para mim, agora o urgente é… É…
Para falar a verdade já nem sei mais o que é urgente. Confesso que estou em uma fase sem urgências e isso não é tão legal.
Enfim, gostei das suas linhas e entrelinhas e vamos andando em círculos sim, pois um dia a linha se abrirá e teremos então uma reta ou sinuosa.
Beijos
Não esqueci da sorte de amanhã!