Mosquitinho traiçoeiro me pegou desprevenida.
Me picou, me deixou de cama , com febre e com vertigens .
Levou embora meu apetite , meu paladar… e acentuou minha impaciência.
Meu corpo não queria ficar em pé…, mas cama, ele também não queria.
O telefone não parava de tocar e eu nem queria falar…
Todo mundo dizendo:” se precisar de algo, é só gritar”… mas ninguém entendia que eu não tinha voz e nem ânimo pra chamar.
Ficar doente sem mãe para paparicar… perde a graça e o charme…
pois não tem suco de laranja, biscoitinho de polvilho e muito menos bolinho de chuva…
só dores no corpo e fisgada na alma…
Uma amiga me disse : - que nesses momentos de repouso forçado é bom pra pensar -….
Mas pensamento não vinha…
Só o corpo que doía só ele que gemia…
O pensamento escapolia.
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Joana menina do olhar esquivo e dos lábios de um vermelho intenso. Joana era alta, mas insistia em andar encurvada. Parece que tinha vergonha do seu tamanho, ou talvez, medo que por ser grande acabasse assustando seus amigos menores.
Ela se encolhia fazia mil estripulias para esconder seu tamanho real. Deixava então, que todos acreditassem que fossem realmente maior do que ela. Assim não pagava o preço de “ser” quem era.
Joana não queria fazer barulho, queira passar despercebida e ser aceita. Mas para isso, ela simulava seu tamanho, usava sapatos apertados e já tinha conseguido até uma “hérnia de disco”, por sempre andar encurvada.
Só que no fundo, ela sabia que era grande. Que não merecia aqueles sapatos apertados e muito menos aquela dor na sua coluna…
Porém, tinha um medo enorme de “andar ereta” e reconhecer seu próprio tamanho . Ter que jogar fora os pequenos sapatos que nunca ajustaram-se direito aos seus pés.
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“Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé um mamão maduro
- COISAS QUE NÃO DOU A QUALQUER PESSOA -
e mais que tudo, taquicardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.
Em vão.
Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que há durão, mal de chagas te comeu?
Não, ele disse: É DESPREZO DE AMOR.”
Adélia Prado
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“Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia, toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre, tão pobre de carinho
Que, de tolo, até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida me ensinou essa modinha”
Chico Buarque
Suspiro profundo!!
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Endereços trocados ,
Destinos entrelaçados…
Em um ato falho…
um jogo de espelhos surpreendente…!
Terá sido mera coincidência?!
Ou desejo oculto de olhar pra dentro?
do lado de cá e do lado de lá!
Para ver as ilusões se desmancharem…
Enxergar …
O lado negro de cá… e o lado cruel de lá.
O amor medroso e desconfiado de cá.
e a indiferença de lá.
As sombras tanto daqui como as de lá…
E entre esses dois lados..
Uma face pura e que melhor via o lado de cá e o lado de lá.
O lado de cá… se quebrou e chorou.
E o lado de lá… como nunca esteve e nunca viu o lado de cá…
Só fez se rachar e voltar pra sua concha e para sua indiferença;.
Agora é recomeçar…
Ah! A face pura soube perdoar!!!
ensinou ao lado de cá, que no amor tem que caber o perdão.
O lado de cá, sorriu entre lágrimas.
Jogou fora as lembranças do lado de lá…
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Cheiro de infância,
problema de gente grande!
Cores de alegria,
sensação de tristeza por desencantos.
Dia pra sorrir,
mas uma lágrima teimosa…insiste em cair.
Entre tanto ganhos…
queixa pelas as ausências,
Essa alma faminta…
Não se contenta… nem com o “tudo” dos a que amam…
e nem com as migalhas dos que a “mimam” por educação.
Queria era escrever versos alegres e satisfeitos…,
Mas hoje não tem cor as penas do meu tinteiro.
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Almas aflitas e descompassadas,
Sangue quente e de um vermelho intenso,
Cores muitas cores,
Sentimento versos razão…
Grito, gemido…
Escândalo,
Badulaques …
Amor vermelho, barato e proclamado…
Declarações ridículas,
Ah essa gente cafona, que não tem medida… tão dionisíacas!
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“O kitsch* é um termo, de origem alemã, verkitschen, que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados,
que são considerados inferiores à sua cópia existente, freqüentemente associados à predileção do gosto mediano e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões que não são autênticos, tomar para si valores de uma tradição cultural privilegiada.
Eventualmente objetos considerados kitsch são também apelidados de brega no Brasil.”
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Acordar tirar o leite,
para tomar com o cafezinho passado no coador de pano,
e feito no fogão de lenha.
Correr atrás da galinha amarelinha para sacrifica- lá e comer com quiabo no almoço.
De tarde tem missa na capela,
Depois da missa é hora de ir para a sacristia,
prosear e comer “curau”…com cafezinho.
No meio da tarde tem joguinho de futebol…
É hora de torcer pelo time da comunidade e tomar suquinho de groselha na embalagem de bichinho…
O jogo termina..
O sol já está indo dormir… , “bora” pra casa a janta vai ser servida ,
depois “vamu” pegar a viola ,
Cantar umas modas caipira…
Olhar para estrelas…
… aproveitar o restinho do domingo…
Pois amanhã é segunda- feira…
Dia de voltar pra cidade…
e pra realidade.
eu quero a paz de um domingo na roça,
eu quero a paz dos que tem fé,
eu quero a paz da ausência de porquês…
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, sigo , persigo uma borboleta colorida que passeia pelo Jardim.
Ela escondeu entre as margaridas e os girasóis
Tropeço em uma pedra,
sinto a cabeça rodar
logo, olho para o alto,
vejo uma placa escrita em letras grandes:
“JARDIM DE VERTIGENS”
acho estranho, estou confusa
minha cabeça segue a rodar feito uma ciranda de criança,
adormeço,
acordo sem tonteiras,
numa realidade em preto e branco,
nada de Jardim
nada de borboletas,
nada de cores!
Me pergunto:
- qual mundo é o real?
o do Jardim de Vertigens?
Ou esse em preto e branco sem balanços na cabeça?!
Não sei…, chega de pensar!
Deixa eu apresentar meu segundo mundo…
Meu Jardim de Vertigens,
Lugar dos meus devaneios e do meu mundo de menina. ..
entre a virgula e a reticência,
porque parte do meio para um final inacabado incompleto,
de uma história que segue…
de uma construção que se faz, se desfaz e se refaz!
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