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Vestido de chita.

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O céu está nublado. Tereza chora sem lágrimas , assim por dentro. Hoje ela não vai colocar a saia de chita e sair para dançar. Na verdade, faz tempo que guardou sua saia colorida no armário e esqueceu os passos de dança.
Tereza quando menina falava sozinha,  tinha sonhos malucos e sempre rezava baixinho para dormir no seu quarto escuro. Na casa dela, havia muita gente grande e ela ali pequenina, feito um enfeite bonitinho.  Ela era pequenina, mas sempre foi grande por dentro, acho que trazia um espírito velho.
Tão obediente era Tereza. A mãe dela se enchia de orgulho para dizer da menina. Mas a mãe de Tereza. não sabia, que esse era o único modo que a menina descobrirá para que eles a notassem , naquela casa cheia adultos.
Essa menina inventava um mundo encantado  dentro da sua cabecinha. Lá ela era princesa, brincava de correr e de desobedecer. 
Assim ela aprendeu a usar sua saia de chita colorida toda vez que ela ficava triste. A saia a dava super poderes de transformação. Ela esquecia que era triste e brincava de sorrir e de sonhar. Mesmo depois de moça feita ela usava a  saia de super-poderes! Mas um  monstro cruel,  fez a indelicadeza de mostrar pra ela que o mundo de sonhos , não existia e que a saia nem poder tinha. Ela o odiou com ódio de morte! Sabe como que é né?!! Mas o ódio depois passou… sempre passa.
 Como é que se pode tirar de Tereza seu mundo encantado?! Suas tão doces ilusões? Ah esse povo sem coração!
Mas se bem conheço Tereza, ela um dia há de arrumar um jeito de inventar um novo mundo e com a saia voltar a rodar.
Por que me diga caro senhor… o que é a REALIDADE mesmo? Será q. ela existe??
Sei não!

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Por que  gostamos de uns e não de outros?
Por que cada amigo chega de uma forma e cria um laço diferente na caixinha do coração?
Tem gostar que as razões são desconhecidas…
Não tem porquê, nem motivo e muito menos sensatez…
Como diria  o sabido Guimarães Rosa “ (…) eu gostava dele, feito coisa feita.”.
Parece feitiço! Sabe?
Vem de graça!
Torna-se só bem querer mesmo.
Agora tem outros amigos que a razão ajuda escolher… vai ajudando o coração a ceder,
esses amigos  não aparecem como mágica, mas vem de mansinho e vai crescendo dentro do peito.
Os que chegam como feitiço amamos infinito, mas temos medo volta e meia!
Porque é sentimento tumultuado…tem muita briga e conciliação.
Mesmo quando vão embora por desentendimento ,… na verdade eles ficam eternamente cativos na querença da gente.
Queremos  esquecer porque a razão não gosta de confusão, mas o danado do sentimento é GRANDE por demais. Tão largo.
Fica ali… cutucando  por saudade apertada.
Num sei dizer  ao certo o porquê desses amores…
uma idéia miudinha  diz pra mim…
que esses laços sejam os aprovados pela razão ou os avessos a ela…
aparecem na vida  pra ensinar  alguma coisa desconhecida…
Que talvez  nunca descubramos ao certo o que é…!!!
O que se pode fazer, é apenas gostar sem muito perguntar.

Sem sentido.

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Faz tempo que não venho publicar meu mau português no meu Jardim de Vertigens.
Tanto coisa acontecendo e nada acontecendo …

…ganhei um espelho embaçado,
perdi sonhos e desfiz algumas ilusões.
Mas o meu quarto ficou escuro sem minhas estrelinhas distantes e inatingíveis.
Fiz birra! Faço birra!
Tranquei a saudade dentro de um baú mofado… “ignoro” seus gritos.
Ou mentira!
Fiquei doente, tive febre… e nem chorei.
Melhorar nem queria! Só queria dormir pra esquecer, mas no delirio eu chamava por quem não devia.

Ai que ódio!!!!
Arrumei emprego, mas não sei fazer a lição de casa.
Nem frase com nexo consigo juntar.

Para de atormentar saudade!!!!
Deixar de lembrar das frase roubadas sempre sem aspas,
do passo à frente e o recuo…. do medo!

esquece… também…
a amizade barulhenta e intensa das manhãs sorridentes.

Ai que nó!!!!!

Aedes aegypti

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Mosquitinho traiçoeiro me pegou desprevenida.
Me  picou,  me deixou de cama , com febre e com vertigens .
Levou embora meu apetite , meu paladar… e acentuou minha impaciência.
Meu corpo não queria ficar em pé…, mas cama, ele também não queria.
O telefone não parava de tocar e eu nem queria falar…
Todo mundo dizendo:” se precisar de algo, é só gritar”… mas ninguém entendia que eu não tinha voz e nem ânimo pra chamar.
Ficar doente sem mãe para paparicar…  perde a graça e  o charme…
pois não tem suco de laranja, biscoitinho de polvilho e muito menos bolinho de chuva…
só dores  no corpo  e fisgada na alma…
Uma amiga me disse : – que nesses momentos de repouso forçado é bom pra pensar -….
Mas pensamento não vinha…
Só o corpo que doía só ele que gemia…
O pensamento escapolia.

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Joana menina do olhar esquivo e dos lábios de um vermelho intenso. Joana era alta, mas insistia em andar encurvada. Parece que tinha vergonha do seu tamanho, ou talvez, medo que por ser grande  acabasse assustando  seus amigos menores. 
Ela se encolhia fazia mil estripulias para esconder seu tamanho real. Deixava então, que todos acreditassem que fossem realmente maior do que ela. Assim não pagava o preço de “ser” quem era.
  Joana não queria fazer barulho, queira passar  despercebida e ser aceita.  Mas para isso, ela simulava seu tamanho, usava sapatos apertados  e já tinha conseguido até uma “hérnia de disco”,  por sempre andar encurvada.
Só que no fundo, ela sabia que era grande. Que não merecia aqueles sapatos apertados e muito menos aquela dor na sua coluna…
 Porém, tinha um medo enorme de “andar ereta” e reconhecer seu próprio tamanho . Ter que  jogar fora os pequenos sapatos que nunca  ajustaram-se direito aos seus pés.

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“Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé um mamão maduro
– COISAS QUE NÃO DOU A QUALQUER PESSOA –
e mais que tudo, taquicardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.
Em vão.
Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que há durão, mal de chagas te comeu?
Não, ele disse: É DESPREZO DE AMOR.”
Adélia Prado

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“Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia, toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre, tão pobre de carinho
Que, de tolo, até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida me ensinou essa modinha”

Chico Buarque

Suspiro profundo!!

Acaso?!!

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Endereços trocados ,
Destinos entrelaçados…
Em um ato falho…
um jogo de espelhos surpreendente…!
Terá sido mera coincidência?!
Ou desejo oculto de olhar pra dentro?
do lado de cá e do lado de lá!
 Para ver  as ilusões se desmancharem…
Enxergar …
O lado negro de cá… e o lado cruel de lá.
O amor medroso e desconfiado de cá.
e a indiferença de lá.
As sombras tanto daqui como as de lá…
E entre esses dois lados..
Uma face pura e que melhor via o lado de cá e o lado de lá.
O lado de cá… se quebrou  e chorou.
E o lado de lá… como nunca esteve e nunca viu o lado de cá…
Só fez se rachar e voltar pra sua concha e para sua indiferença;.
Agora é recomeçar…

Ah! A face pura soube perdoar!!!

ensinou ao lado de cá, que no amor tem que caber o perdão.

O lado de cá, sorriu entre lágrimas.

Jogou fora as lembranças do lado de lá…